A PÁSCOA COMO RITUAL DE PASSAGEM PARA O RENASCIMENTO

Quando eu era criança, uma das minhas datas mais aguardadas, depois das férias escolares e do natal, era a páscoa!

Eu sou uma apaixonada por chocolate e, já naqueles dias, meus olhos brilhavam e minha boca salivava quando estava diante da oportunidade de saborear um! Ou vários, como acontecia na Páscoa! 🙂

Eu fui criada dentro da tradição católica, apesar de a minha família não ser praticante; mas cheguei a fazer primeira comunhão, participei de grupo de jovens da igreja do meu bairro (amava!) e iniciei a preparação para a crisma.

E dentro desta realidade, se por um lado a Páscoa me animava pela perspectiva de ganhar chocolates, por outro ela me deixava triste.

Eu nunca gostei da parte religiosa que focava no calvário de Jesus. Sempre foi uma história que eu considerava triste, violenta e muitas vezes fantástica demais para os meus saberes juvenis.

O tempo passou, saí da infância e da expectativa por ganhar chocolates; saí da juventude e da negação própria da idade.

Anos depois, com a maternidade, a páscoa voltou a ser linda e cheia da magia do coelho e da alegria infantil dos meus dois filhos!

Seus olhinhos brilhando (como os meus já brilharam um dia), ao perceberem que o coelho havia deixado ovinhos de chocolate, e que esse mesmo coelho, um tantinho desastrado, havia sujado o chão com suas pegadas branquinhas e comido a cenoura, cuidadosamente deixada para o seu lanche noturno, com seus dentinhos pontudos, me enchiam de alegria no domingo de Páscoa.

Quando me tornei mãe eu já não tinha uma religião, tinha apenas a minha espiritualidade nata, se bem que esta andava bem escondida, e, por essa razão, nunca falamos da Páscoa Cristã em casa.

A grande verdade é que, tirando a páscoa com os meus filhos, desde que entrei na vida adulta passei a me sentir desconectada desta data. A páscoa passou a ser apenas mais um feriado no calendário.

Ao menos até este ano!

E é esta a nova perspectiva sobre a páscoa que desejo compartilhar com você neste artigo!

Acredito que, assim como eu, você já deve ter ouvido que Páscoa significa Renascimento.

Você também já deve ter ouvido que a Páscoa Cristã vem da Páscoa Judaica, que vem, como quase tudo, de festividades pagãs. Mas não vou entrar nestes aspectos da Páscoa.

Minha intenção é falar com você sobre a perspectiva da Páscoa como Ritual de Renascimento.

 

 

Não do renascimento do Cristo, mas sim do NOSSO RENASCIMENTO!

Nós temos, ao longo da vida, a oportunidade de experienciarmos alguns rituais de passagem.

Rituais de Passagem são acontecimentos que marcam a transição de uma fase velha para uma outra, mais nova em nossas vidas.

Em cada ritual desses, deixamos morrer aqueles que fomos até então, para permitirmos o renascimento de um novo aspecto da nossa personalidade.

O ritual marca o surgimento de um novo EU, mais amadurecido, mais apto a viver a nova etapa da vida que se inicia.

Eu por exemplo, como mulher, vivi dois grandes rituais de passagem na minha vida e pelos quais sou imensamente grata: os partos dos meus dois filhos.

A minha maternidade se iniciou no momento em que os meus filhos nasceram, e o parto de cada um deles foi um ritual de passagem muito poderoso para mim.

E é como um poderoso Ritual de Passagem que eu agora passarei a encarar o período de Páscoa! Como um espetacular Ritual de Renascimento!

 

 

Viver a Páscoa como uma grande oportunidade de honrarmos quem nós temos sido até então, de celebrarmos a nossa existência e de vislumbrarmos quem nós desejamos ser, para, em seguida, deixarmos morrer os aspectos do nosso ego que funcionam como verdadeiras armadilhas para a nossa felicidade, é algo que eu e você podemos fazer nesta Páscoa!

Viver a Páscoa significa encararmos as nossas sombras, não para maldizê-las, mas sim para iluminá-las, pois toda sombra revela uma barreira, um bloqueio para a entrada da luz.

Toda sombra é luz não revelada. Toda sombra é luz que não conseguimos ver.”

Quando nos permitimos olhar para elas, nos permitimos enxergar os obstáculos, as barreiras e os bloqueios que estão nos impedindo de sermos a melhor e mais elevada versão de nós mesmos.

Quando honramos a nossa existência e sentimos amor, perdão e gratidão pelas nossas dores, nos permitimos viver a vida que desejamos, pois iniciamos a criação consciente de uma realidade mais cheia de amor, de saúde e de realização. Uma realidade mais LIVRE.

Quando deixamos morrer, na cruz do espaço e do tempo, os aspectos do nosso ego, que ainda reforçam a ilusão de que precisamos ter medo, de que não temos valor, de que não somos amados, de que somos eternos pecadores, vítimas errantes de um sistema opressor e pelo qual não somos responsáveis, estamos VIVENDO A NOSSA PÁSCOA.

Viver a Páscoa significa abandonar o paradigma do pecador e abraçar um novo caminho, uma nova jornada, uma nova consciência sobre quem somos e sobre o que viemos fazer aqui.

 

Vamos em busca da consciência de que o grande pecado original que carregamos é o pecado de acreditarmos que somos separados de tudo e de todos, e que estamos em uma existência errante, completamente sozinhos, lutando e competindo diariamente com os nossos iguais pela nossa sobrevivência.

A Páscoa é a oportunidade de crucificarmos ESSE pecado, para então nos permitirmos ressurgir gloriosos para uma nova era.

Uma nova era onde deixamos de nos posicionar como vítimas e pecadores, e passamos a pensar, sentir e agir como seres DESPERTOS e CONSCIENTES da nossa própria capacidade, divindade e união.

 

 

About The Author

Janine Scheffer

Oi! Eu sou a Janine! Sou apaixonada pelos mistérios e pela magia da existência humana. Como terapeuta e coach, facilito processos que resultam em vidas com mais Amor, Propósito, Saúde e Abundância! Sou mãe da Ísis e do Pedro e companheira do Daniel. Adoro conversar, viajar, tomar café, escrever e estar na Natureza!